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domingo, 20 de março de 2011

São Patrício é sinônimo da nacionalidade Irlandesa


A comemoração do padroeiro da Irlanda “São Patrício” é muito maior do que vestir-se ou pintar-se de verde e pode ser considerada mais de caráter nacionalista do que propriamente religioso hoje em dia. O 17 de março tornou-se um evento internacional, talvez pelo fato da grande emigração dos irlandeses na época da Grande Fome no sec. XVIII, criando raízes por todas as partes do mundo. Portanto esta data não é festejada somente na “Ilha Verde”, as comunidades Irlandesas que estão espalhadas, seja nos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Austrália, Nova Zelândia, Montserrat ou mesmo no Brasil se unem nesta época para celebrar e afirmar e orgulho de ser Irish. “Eles querem lembrar e salientar: - nós somos irlandeses neste lugar cheio de outros”, ressalta o padre irlandês, Patrick Mc Namara (conhecido como Patrício entre os brasileiros). Estima-se que mais de seis milhões de Irlandeses emigraram entre 1845 e 1950 e hoje cerca de 40 milhões vivem somente nos Estados Unidos, ou seja, tem mais Irish lá do que no próprio País, que conta recentemente com uma população de no máximo 6 milhões.

Celebração pelo mundo
A celebração somente tornou-se um feriado público no ano de 1903, mas as primeiras paradas de São Patrício aconteceram ainda no século XVIII, quando trabalhadores imigrantes irlandeses marcharam neste dia para fazer declaração política e reivindicar melhores condições de vida e emprego nos Estados Unidos. Segundo Patrício Mc o desfile em Nova York – que atualmente é o mais famoso do mundo - foi organizado com o intuito de mostrar a quantidade de irlandeses que moravam lá, visto que o governo local estava elaborando leis que iriam prejudicá-los. “Alguém teve esta idéia, a de mostrar quantos irlandeses tinha de fato na cidade e dizer que se estas medidas fossem postas em prática, prejudicariam milhares de pessoas”, diz ele.

O padre acredita que a comemoração também seja grande na Austrália porque lá vivem milhares de descendentes de irlandeses. “Muitos foram deportados por serem criminosos perante a lei criminal da Irlanda. Qualquer um que roubasse um pedaço de pão ou um par de sapatos, por exemplo, era detido e transportado para aquele País, por isso é muito comum os irlandeses terem parentes que moram naquele continente”, explica Patrício Mac.

Na Irlanda, o primeiro grande evento realizado em nome do seu padroeiro aconteceu no dia oficial do Santo em 1996: o "Saint Patrick's Festival". O evento foi impulsionado pela economia em ascensão na década de 90 e atualmente conta com uma vasta programação de eventos culturais durante toda a semana (veja http://www.stpatricksfestival.ie/). Mesmo assim o sacerdote irlandês assegura que os “Irish que residem fora celebram mais este dia do que os que vivem no próprio País”.

É engraçado como esta tradição ficou popular, até os Simpsons - do desenho animado - já participaram desta festividade, em diversos episódios.



Brasil
Embora não haja tantos irlandeses vivendo no Brasil, como em outros lugares, eles se encontram principalmente nos pubs das capitais para confraternizar e “bebemorar”, com tradicionais atrações que relembram a Irlanda, com bandas de música folclórica e comida típica. Digo “bebemorar”, pois o dia de São Patrício sempre acontece na quaresma - período que alguns católicos fazem jejuns - e segundo o irlandês e professor da língua Gaélica, Frainc Ó Broin, há uma tradição que somente neste dia os irlandeses se sentem liberados para se embriagarem e aliviar-se das promessas. Talvez esta seja uma boa desculpa para eles que são apaixonados por uma boa cerveja e adoram festejar.

Ao contrário da Irlanda, o brasileiro comemora a data da padroeira do Brasil - Nossa Senhora Conceição Aparecida - com muita religiosidade, segundo disse o padre Patrício Mc. Ele viveu no Brasil nas décadas de 70 a 90 e trabalhou em várias capitais na Campanha da Fraternidade e participou de perto da cultura religiosa local. “Quando trabalhava em São Paulo, todos os anos eu tinha que ir a Aparecida. Os padres - por sua vez - tem um impacto enorme na vida dos brasileiros, porque muitas pessoas que não vão à basílica acompanham as missas e as devoções pela rádio e TV. Eu vi a Sala das Promessas, têm milhares de pessoas que deixaram vestidos de noiva, braços e pernas de cera, documentos de trabalho, em agradecimento a graça que receberam com a intercessão da Nossa Senhora”.

Simbolismo da festa
Originalmente, o dia de São Patrício era dedicado à lembrança do sacerdote, mas com o tempo tornou-se uma ocasião religiosa importante, com missas e outras atividades litúrgicas, finalmente passando a fazer parte do calendário cristão na primeira década dos anos 1600. Patrício Mc Namara concorda que religiosidade ainda esta inserida na comemoração do padroeiro da Irlanda, mas para ele atualmente a festa no mundo é um momento de celebrar o fato de ser irlandês, é um momento de confraternização. “É uma festa familiar e nacionalista também. De fato, a parte religiosa está em segundo plano. Agora o momento é para celebrar a prosperidade e a criatividade, de celebrar a Cultura Irlandesa de um modo geral”, finaliza.

  
 Fotos acima: San Patrick's Parade - Dublin 2011.
Aproximadamente 5,2 mil pessoas lotaram as ruas no centro de Dublin.
Em Nova York a Parada contou com cerca de 2 milhoes de pessoas este ano.

São Patrício - O Missionário Cristão

O missionário cristão São Patrício foi enviado a Ilha em 432 d.C - pela Igreja Romana - para evangelizar os chamados povos Celtas.
Quando aqui chegou encontrou um povo dominado pelas crenças nos deuses da Natureza. Nesta época, os reis e os sacerdotes - conhecidos como druidas – exerciam total poder sobre o povo. “Estes dois tinham muita proximidade, andavam de mãos dadas um com o outro, o poder do rei e do sacerdote era muito semelhante”, explica o padre irlandês Patrício Mac Namara. Em cada reinado existia um druida que cuidava daquela aérea. Eles eram muito respeitados e influentes na sociedade.

Os druidas afirmavam que eram descendentes dos deuses da natureza e que tinham poderes de controlar a fertilidade da terra e do tempo - fazer ou parar a chuva. Devido à grande sabedoria adquirida em Ciência, conheciam poções para soluções de doenças físicas e espirituais e eram grandes alquimistas e conhecedores da linguagem das estrelas. Os druidas em seus rituais sagrados invocavam forças visando os mais diversos fins, quer estes fossem negativos ou positivos, isto dependia do tipo de ritual e das intenções das pessoas que deles participavam, sendo estas atividades vistas como pagãs aos olhos da Igreja Católica.

São Patrício inteligentemente se aliou aos reis, tentando assim tirar a força dos sacerdotes. Ele começou a destruir a influência dos druidas, destruindo o sagrado lugar das pessoas e iniciando a construção de igrejas e mosteiros. Em vez de ouvir os ensinamentos e conselhos dos druidas, as pessoas começaram a ouvir os ensinamentos de Roma. Como os druidas não deixaram a sua tradição escrita, com a sua morte a sua influência foi quebrada e esquecida.

Segundo o padre Patrício Mac Namarra, o missionário  São Patrício usou mesmo a folha do Trevo de três folhas para ensinar a Santíssima Trindade - agora considerado como símbolo nacional do País -, mas é somente uma lenda que ele espantou as cobras da Irlanda. “Cientificamente é comprovado que nunca existiram serpentes na Ilha”, sorri o padre. Talvez esta seja uma metáfora histórica, pois São Patrício veio para a Irlanda para abolir com as tradições pagãs e - na época - o símbolo dos druidas era a Serpente. Talvez seja esta a razão também que ele aparece esmagando esse animal com seu cajado.

A maior parte do que se sabe sobre São Patrício vem dos documentos que ele escreveu no final da sua vida, principalmente a “Confissão” – considerado como uma autobiografia espiritual. “Neste livro ele contou como era a sua vida e que ele se achava um pecador, pois quanto mais ele fazia, mais se considerava pequeno diante de Deus. Apesar de ser herói perante os irlandeses, ele citou que tudo dependia da vontade de Deus”, explica Patrício Mac.

São Patrício trabalhou durante cerca de 30 anos como missionário cristão na Irlanda e, digamos, ele teve êxito na sua missão, já que hoje a maioria da população é de católicos na atualidade. Não se sabe ao certo a data de sua morte, alguns dizem que foi no ano 493, mas uma data anterior de 461 parece mais provável. A tradição diz que ele morreu em Saul e foi enterrado na cidade de Downpatrick, na Cathedral Hill.

OBS: Matéria publicada na revista Newsbrazil,
que acaba de nascer na Irlanda, a qual sou colaboradora.

Assista a seguir a entrevista com Patrick Mc Namarra



O padre Patrick Mc Namarra trabalha no
Centro de Apoio de Brasileiros na Irlanda.
213 North Circular Road – Phibsboro – Dublin 7

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Irlanda é o berço do Halloween

Quem passou pelo centro de Dublin nos dias 30 e 31 de Outubro poderia pensar que a Irlanda estava em meio a uma guerra. De minuto a minuto era possível ver clarões e ouvir a sons de “bombinhas” e foguetes: Zuuuummm Boooommmm, Zuuuummm Boooommmm...da janela de meu apartamento. Mas não se espantem não, era somente a celebração do Halloween muito festejado na Irlanda, que é berço deste evento criado pelos povos Celtas, há cerca de 100 A.C.


Talvez por ser o local de origem, o Halloween é levado muito a sério aqui. Mais precisamente este ritual pagão nasceu no Condado de Meath, na montanha conhecida como Hill of Ward, localizada perto da pequena cidade agrícola Athboy. Em Meath sempre acontece as celebrações, digamos, mais culturais a respeito do Halloween na Irlanda.
Confira o que rolou por lá: http://www.meath.ie/media/Media,43499,en.pdf
                                     

Conta-se que os Celtas festejavam o ano novo no dia 1 de novembro, período em que o rigoroso inverno tomava conta da região, provocando muitas mortes, e o fim da colheita. A data marcava também o início da escuridão para os Celtas. Por essa razão, os sarcerdotes celebravam o festival de “Samhain” que era um ritual que permitia que as almas dos mortos, em busca de alimentos, tomassem os corpos dos vivos. Após o pôr do sol, tochas eram acesas em sete montanhas da região. Com medo de serem possuídas por esses espíritos malignos, as pessoas vestiam máscaras e trajes negros para espantar o “mal”. Daí a origem das fantasias no (Halloween=Samhain).

Halloween 2010

Aqui na Irlanda, os festejos prolongaram-se por mais de uma semana e aconteceram num espírito bem engraçado, com a realização de paradas, festivais de horror e muito mais. Como manda a tradição, as crianças se divertem batendo nas portas da vizinhança para cantar músicas, fazer brincadeiras e ganhar doces, chamado de “trick-or-treating” (em inglês) ou em festas realizadas em centros sociais, creches e escolas. Eu mesma estive presente em uma delas, acompanhando a “neném” que cuido.


A minha chefe irlandesa "A" disse-me que todos os anos enfeita a casa para uma grande festa familiar. Seus filhos se vestem tipicamente e visitam as residências na redondeza para fazer brincadeiras. Para ela, este evento é uma forma de preservar a cultura de seus ancestrais e de socialização também.

Decoração da casa de minha chefe "A"

Já os adultos, como bons irlandeses, lotaram os bares para beber e farrear. Em Dublin, o bochicho aconteceu principalmente no Temple Bar, região central onde estão concentrados os pubs. O que mais se via nas ruas eram pessoas fantasiadas de fantasmas, bruxas, esqueletos, vampiros e múmias, mas muitos usaram trajes de super heróis como a Mulher Maravilha, Batmam, Super Homem e outros; o que de certo modo, para mim, descaracteriza e tira a magia da festa.

De lá para cá o evento se transformou, hoje o Halloween é comemorado em quase todos os países, sendo uma festa global e adaptada às diferentes culturas. A tradição foi incorporada à cultura americana em 1840, quando os irlandeses fugindo da fome em seu País, imigrando-se para os USA, sendo hoje muito representativa. Segundo minha outra chefe “S” - irlandesa que viveu durante 20 anos em Nova York - a festança na América do Norte  é ainda maior do que a daqui.

Idade Média – Catolicismo e Santa Inquisição

O Halloween por ser uma festa pagã foi condenado na Europa durante a Idade Média, quando passou a ser chamado de "Dia das Bruxas". Aqueles que comemoravam esta data eram perseguidos e condenados à fogueira pela Inquisição.
A versão cristã do Samhain é o Dia de Todos os Santos (1 de novembro), que foi introduzido pelo Papa Bonifácio IV, no século VII, para substituir o festival pagão. O Dia dos Mortos (que cai a 2 de novembro) é outra adaptação cristã ao antigo Festival dos Mortos, pela Igreja Católica Romana como um dia sagrado de preces pelas almas do purgatório.


Halloween no Brasil

"No Brasil a comemoração desta data é recente. Chegou ao nosso País através da grande influência da cultura americana, principalmente vinda pela televisão. Os cursos de língua inglesa também colaboram para a propagação da festa em território nacional, pois valorização e comemoram esta data com seus alunos: uma forma de vivenciar com os estudantes a cultura norte-americana.
Muitos brasileiros defendem que a data nada tem a ver com nossa cultura e, portanto, deveria ser deixada de lado. Argumentam que o Brasil tem um rico folclore que deveria ser mais valorizado. Para tanto, foi criado pelo governo, em 2005, o Dia do Saci (comemorado também em 31 de outubro)”. http://www.suapesquisa.com/datascomemorativas/halloween.htm

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O que seríamos de nós se não fossem os artistas?

Moro em Dublin há mais de dois anos e uma coisa que me impressiona a cada instante em que saio de casa são os “Artistas de Rua”. Ah, como eles enchem esta cidade de alegria. E só você andar pelo centro que, com certeza, encontrará alguém tocando, fazendo mímicas ou malabarismos, desenhando, cantando... Gostoso e bonito de se ver. Depois que se conhece a Irlanda é fácil de entender o porquê aqui se produz tanta cultura boa, seja na música, dança, literatura, etc. e tal. Não sei explicar, mas sinto no ar aqui certo cheiro de criatividade e amor pela Arte.

Ontem estava uma tarde linda, céu azul e bastante quente. Aproveitei o dia e fui rapidamente ao Stephen’s Green para fazer algumas fotos e me deparei com dezenas de artistas. Não sei exatamente se eles vivem somente da Arte ou se têm algum outro serviço paralelo. Será possível viver somente fazendo Arte nas ruas de Dublin? Veio-me esta dúvida na cabeça. Falo isto porque aqui as pessoas os ajudam doando moedas, normalmente colocam o dinheiro em uma caixinha que fica no chão, durante a apresentação. Alguns vendem seus próprios CDs, livros e também artesanatos. Geralmente eles ficam ao lado dos shoppings. Talvez ganhem algum “money” dos comerciantes também. Desculpe-me, mas isso eu não sei responder. Vou entrevistar alguns deles e prometo que voltarei aqui para falar sobre o assunto.

Veja o vídeo abaixo! Espero que gostem.


Para vocês terem uma idéia de como isso é forte por aqui, ano passado ídolos musicais como: Glen Hansard, Lian O’Maonli, Mundy, Paddy Casey, Damein Rice e Paul Hewsont (este último é o Bono do U2) se apresentaram juntos na famosa rua Grafton Street na véspera do Natal. Infelizmente, acredito que no Brasil seria impossível famosos artistas fazerem algo assim devido a vários fatores que prefiro não comentar aqui.


                                       
Minha Cidade - Brasil

Isto tudo me fez recordar do tempo em que trabalhei em minha cidade. Lutei por quase 10 anos na implantação e funcionamento de uma escola municipal de música. Quando sai de lá, vi os frutos de meu esforço e cerca de 150 alunos estudando gratuitamente. Hoje, Cristina, no sul de Minas, tem muitos músicos, o que culminou em um grande festival “Café com Música” http://cristina.mg.gov.br/?page_id=57 que acontece todos os anos, com oficinas (músicos renomados) e apresentações por toda a cidade. Pensar nisto tudo me deixou com o coração feliz e fez-me pensar fortemente que é fantástico viver. O meu sonho é chegar um dia em Cristina  e ver os músicos tocando nas esquinas num dia qualquer. Quem sabe um dia ainda verei.
E para terminar cito a famosa frase do poeta Fernando Pessoa: Tudo vale a pena se a alma não é pequena; e deixo a interrogação: - O que seríamos de nós se não fossem os artistas?

Se quiserem ver algumas fotos que fiz na tarde de Ontem, visitem meu outro blog

"Vida em Cenas" http://fotografia-dandawalsh.blogspot.com/

quarta-feira, 31 de março de 2010

Daffodil Day - Narciso x Câncer

Ainda falando sobre as flores e a Primavera, mas mudando o enfoque do assunto, vou contar algo que aconteceu comigo a semana passada quando fui despedir-me dos pais de meu noivo, que estavam voltando para Donegal. Minha sogra saiu do hotel para dar uma volta rápida pelo centro de Dublin e quando ela voltou tinha uma flor amarela em sua lapela. Achei meio estranho e diferente, mas pensei – “deve ser normal usar flores naturais por aqui, ela comprou um broche”. Ate aí tudo bem, mas não perguntei nada, por simples timidez. Olha só o que a desinformação faz ... rsrsrsrs ...

Á noite, quando assistia ao programa “The Late Late Show” na RTE (http://www.rte.ie/tv/latelate), muito parecido com o “Jô Soares Onze e Meia” - no Brasil, vi na platéia várias pessoas usando esta mesma flor. Foi aí que meu noivo me explicou que todos os anos, nesta mesma época, inicia-se uma grande campanha contra o Câncer na Irlanda “Daffodil Day”. Então as pessoas compram esta flor “Daffodil” – conhecida como “Narciso Amarelo” - ou doam dinheiro por telefone ou via site; e o recurso adquirido é repassado para a "pesquisa" desta enfermidade aqui.



Narciso x Câncer
Perdoem-me a minha viagem, mas - como sou da área de Comunicação e Marketing - me veio uma curiosidade: Porque os Irlandeses usam o “Narciso” como logomarca de uma campanha de doação, sendo que esta flor simboliza o egoísmo, a insensibilidade e a vaidade?


Pensei nisto, pois me lembrei da história grega sobre Narciso: um rapaz famoso por sua grande beleza e orgulho e que jamais poderia ver a sua própria imagem. Esta maldição foi cumprida quando Narciso ficou encantado por seu reflexo na lagoa. Ele de tão fascinado por si mesmo, quando procurou admirar-se mais de perto, caiu na água e morreu afogado. No lugar, nasceu uma flor que passaram a chamar de "Narciso"; que tem - nos dias de hoje - os simbolismos acima citados devido a insensivel personalidade dele.

Continuei viajando e pensando sobre o uso da flor na logomarca da campanha:  "Talvez seja para as pessoas deixarem o egoísmo e fazer uma caridade em prol de todos. Talvez seja pelo fato de vermos a Daffodil por todos os cantos na Irlanda na Primavera, ser fácil de ser cultivada e multiplicar-se por aqui, tipo uma metáfora: “milhares de flores, milhares de doações."  Desculpem-me meus idiotas pensamentos. (risos) Enfim, cheguei a conclusão que é somente porque tem Narcisos aos montes aqui e é de fácil acesso. Ufa...O que voces acham?
Slogan
O Slogan da campanha este ano foi: “We are pinning all our hope on you”. Traduzindo, é mais ou menos assim: “Estamos depositando toda a nossa esperança em você”. Na página http://www.plantadaff.ie/ existe uma estratégia de Marketing bem interessante: quando as pessoas fazem uma doação, elas plantam virtualmente uma  flor e deixam  mensagens.


Bem, ser você estiver aqui ano que vem, já saberá que a florzinha amarela na lapela não é um simples “broche” (como eu pensei ..rsrsrs...santa ignorância) e sim trata-se de uma campanha contra o Câncer. Quem sabe poderá aderir, comprar a Daffodil, fazer uma boa ação e ajudar a esta “causa” que acontece aqui desde 1987, promovida através da Sociedade Irlandesa do Câncer.

Para mim foi legal também saber que a tal flor amarela que vemos em quase todos os jardins daqui é o tal Narciso da história que li e é cantada nos versos da imortal composicão de Caetano Veloso, "Sampa".
"Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
chamei de mau gosto o que vi
de mau gosto, mau gosto
é que Narciso acha feio o que não é espelho
e a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
nada do que não era antes quando não somos mutantes."



Oscar Wilde e a história de Narciso

O escritor irish Oscar Wilde, porém, tem uma maneira diferente de terminar esta história, que foi publicada no livro do escritor brasileiro Paulo Coelho.
Ele diz que, quando Narciso morreu, vieram as Oréiades – deusas do bosque – e viram que a
água doce do lago havia se transformado em lágrimas salgadas.
-Por que você chora? – perguntaram as Oréiades.
-Choro por Narciso.
-Ah, não nos espanta que você chore por Narciso – continuaram elas. – Afinal de contas, apenas de todas nós sempre corrermos atrás dele pelo bosque, você era o único que tinha o oportunidade de contemplar de perto sua beleza.
-Mas Narciso era belo? – quis saber o lago.
Quem mais do que você poderia saber disso? ­ responderam, surpresas, as Orniades
Afinal de contas, era em suas margens que ele se debruçava todos os dias.
O lago ficou algum tempo quieto. Por fim, disse:
Eu choro por Narciso, mas jamais havia percebido que Narciso era belo.
"Choro por Narciso porque, todas as vezes que ele se deitava sobre minhas
margens eu podia ver, no fundo dos seus olhos, minha própria beleza reflectida".
"Que bela história", disse o Alquimista.»
Paulo Coelho

Estatísticas do Cancro na Irlanda

Aproximadamente 30 mil novos casos de Câncer serão diagnosticados na Irlanda em 2010 e a doenca afetará um em cada três pessoas no futuro. Apesar dos avanços significativos na detecção precoce e tratamento, cerca de 8 mil pessoas vão morrer de cancro em 2010, o Câncer é responsável por 25% do total de mortes a cada ano.
Fonte: http://www.cancer.ie/

segunda-feira, 22 de março de 2010

Se você quer agradar a um Irish mande-lhe um cartão

Eu sei que o mundo está rápido, que as pessoas têm pouco tempo e as informações estão cada vez mais globalizadas, mas tem algumas tradições que - para mim - quando preservadas são de total bom gosto e fortalecem as relações interpessoais. Este é o caso da tradição de enviar cartões comemorativos via correio ou mesmo pessoalmente, usada até os dias de hoje pelos Irish. Então ... se você quer agradar a um irlandês nunca se esqueça de dar-lhe cartões. A Páscoa está chegando e é um bom momento para dizer-lhe alguma coisa de bom.

Aqui na Irlanda tudo é motivo para enviar ou receber um cartão, na verdade não é necessário ter um dia especial. Se não tem eles inventam. (risos) O comércio de cartões é tão forte que você poderá comprá-los em praticamente todas as lojas. Tem uma diversidade de temas inacreditável: desde os mais clássicos como nascimento de filho, aniversário, Natal, Páscoa, Batismo e Namorado; até os mais diferentes, desemprego, morte, doença, depressão, para a sogra(o), noivo (a), madrasta, padrinho (a) dentre outros. Alem disto, existem lojas que vendem alguns materiais para as pessoas confeccionarem seus próprios cartões, as crianças fazem muito isto aqui.
Eu posso estar errada, mas trabalho em casa de irlandeses a mais de um ano e meio e notei esta grande diferença. No Brasil, na maioria das vezes – por exemplo, no nosso aniversário - ganhamos presentes, mas os cartões quase sempre são esquecidos. Aqui, principalmente em datas especiais, as casas dos irlandeses ficam completamente lotadas de cartões e eles fazem até varais com eles, os pregam nas paredes, os colocam nas lareiras, em todos os cantos. Eles têm orgulho dos cartões.


Aconteceu uma coisa muito engraçada este ano, meu noivo não remeteu cartão no dias das Mães e também no aniversario do irmão. Bem, a minha futura sogra perguntou:  - Porque você não enviou um cartão para seu irmão? Sabendo disto, no próximo ano eu mesma os providenciarei. (risos)





Particularmente eu acho um grande ato de carinho receber ou enviar um cartão. Sou moderna, super adepta a internet, aos cartões e mensagens virtuais, mas nada mais educado e personalizado do que algo escrito por seu próprio punho. É uma tradição que está se perdendo, mas eu pretendo mantê-la.




Croke Park proporciona um caldeirão de Cultura

Eu era como a Karine (do blog Ká.Entre.Nós, que eu adoro), que somente assistia futebol na época da Copa do Mundo ou quando o Brasil jogava, mas morar na Irlanda e estar noiva de um irlandês isto é quase impossível. Como uma boa companheira, tenho que ter paciência para assistir, ou tentar, ao campeonato de futebol Europeu, Gaélico, Rugby, etc. e tal...e olha que já estou entendendo um pouquinho (risos).

No Sábado, fui registrar a movimentação dos torcedores nos arredores do estádio Croke Park, em Dublin, que tem capacidade para 82 mil pessoas. Saí de casa com minha câmera nas mãos pronta pra fotografar e gravar alguns momentos para vocês entenderem a loucura dos irlandeses por qualquer tipo de futebol; e confesso que me diverti bastante. Não é somente em Sant Patrick’s Day que os irish se vestem de verde. E só a Irlanda disputar a um “game” que os vemos todos enfeitados com bandeiras, chapéus, camisetas e cachecóis. Tudo isso para torcer pelo País, um enorme sentimento de patriotismo e esportismo que é até legal de se ver.







A Seleção Irlandesa de Rugby disputou com a Escócia neste dia. Então vocês devem imaginar a mistura cultural: um bando de irlandeses caracterizados e um bando de escoceses vestidos com os seus saiotes, chamados “kilt”. Quando vi aqueles homens de saia, fiquei pensando: Será verdade que eles não usam cuecas embaixo das saias? Então... fiz esta pergunta ao meu noivo e ele fez um sinal pra eu levantar a kilt de um irlandês e disse: "- Try Danda!" Mas quem disse que eu tive coragem, até que seria emocionante, e ainda estou com esta dúvida na cabeça. (risos) Quem puder me ajude a decifrar.




Andando no meio daquela multidão ouvi um som diferente e fui verificar. Era um jovem menino tocando gaita-de-fole, tradicional instrumento da Escócia, que tem uma peculiaridade onde o músico não precisa pausar para respirar, pois a gaita tem um mecanismo contínuo, bem diferente dos outros instrumentos de sopro. Eu acho  a melodia interessante, apesar de ser um pouco repetitiva para meu gosto. O mais interessante era que o menino usava a camiseta da seleção irlandesa e a saia dos escoceses, acredito eu, para agradar as torcidas e ganhar "money" dos dois lados. Inteligente o garoto...
Mais a frente, tentei fotografar uma banca de vendedores ambulantes e de-repente a dona gritou: “- For take a pictures is five euros”. E eu respondi “– Oh my god! you love money a lot” e todos que estavam por perto gargalharam com a situacão e com a “munheca” da vendedora. Enfim, nao fotografei esta banca, mas tirei foto de uma outra logo em seguida.

E para fechar a tarde e a caminhada com chave de ouro e fazer “My Love” feliz, o famoso jogador da Seleção Irlandesa de Rugby, Jerry Flannery,  passou bem pertinho de nós. Ele - que estava impossibilitado de jogar a esta partida - ficou sorridente e simpático algum tempo ali, conversando e dando autógrafos. Sinceramente, se não fosse meu noivo estar comigo, nem veria o tal atleta. Como já disse: - Me esforço, mas sou um desastre em assuntos de futebol. (risos). Estou melhorando minha gente! Hoje já sei que no passado a maioria dos jogadores de Rugby na Irlanda eram doutores e ricos, o que fez este esporte ser elitizado por aqui.

Voltamos pra casa rapidinho para assistir ao jogo, é claro, mas os irish foram infelizes. A Irlanda que era a favorita perdeu para Escócia por 23 a 20. Com a derrota, a Irlanda perdeu a chance de lutar pelo bicampeonato do Six Nations. Nos últimos sete anos, a Irlanda foi soberana, conquistando cinco títulos. Com a surpreendente derrota, o título da competição ficou com a França. (Foto ao lado RTE)
Hoje eu sei que quem disse que Futebol não é Cultura estava errado com esta afirmação.



Veja um pouquinho desta aventura


 Saiba mais sobre o Hugby

Em 1823, durante uma partida de futebol nathe close ao rugby school, na cidade do rugby, na Inglaterra, diz a lenda que william webb ellis, sem muita hablidade com os pés, ficou nervoso que a sua equipa perda, agarrou a bola e partiu em direcção a golo adversário. Alguns adversários, vendo a cena, tentaram impedi-lo de correr enquanto outros o xingavam. O que para alguns pareceu maluquice para outros foi fantástico: “é assim que queremos jogar”. A partir dai, começou a fazer regras diferentes em cada cidade ate que a associação de futebol resolveu adaptar as duas àquele novo jogo, não dando muito certo. Quando da tentativa de uniformização das regras, houve divergências que acabaram levando a formação de dois órgãos distintos do Rugby Football Union e o Rugby Football League. Este ultima esta entre o rugby tradicional (Union) e o futebol americano. O rugby transferiu-se facilmente para outros países, principalmente colônias inglesas, graças aos súbditos da Rainha Vitoria que espalharam o exporte pelo mundo. Aonde chegava, encontrava imediata aceitação entre as escolas, universidades e forças armadas. Os soldados, que eram enviados em missões para outros países, acabavam espalhando o exporte com finalidade de desenvolver o físico, a mente e o espírito de grupo. Na África do Sul, foi usado para aproximar britânicos e africanos. Na Irlanda, para reconciliar católicos do sul, foi usado para aproximar britânicos e africanos. Na Irlanda, para reconciliar católicos de sul e protestantes do norte. Graças a atitude irreverente de William Webb Ellis, o rugby tornou-se um exportes com capacidade de unir os homens. Na particular ele não foi nenhuma celebridade, chegando mesmo a ser esquecido. Quando deixou a Public School of rugby transferiu para Oxford, formando-se padre. Hoje em dia a Taça dada ao Campeão Mundial leva seu nome.
Fonte: sites.google.com/site/historiadorugby/históriadorugby

Regras
Os 15 jogadores têm designações/funções diferentes
Defesas ou jogadores das linhas atrasadas - Pontas (2), centro (2), defesa ou arriére (1)
Médios - De formação (1), de abertura (1)
Avançados - Tanador (1) m, pilares (2), saltadores ou segundas linhas (2), asas (2), terceira linha (1)

A competição é dirigida por uma equipa de arbitragem constituída por
Uns árbitros que tem como função a segurarem o comprimento das leis do jogo;
Dos árbitros auxiliares/juízes de linhas que o auxiliam nessa função.


Veja tudo sobre Rugby na Irlanda - http://www.irishrugby.ie//

Tour Cultural pelo Croke Park

Atraindo visitantes de todo o País e ao redor do mundo, o Croke Park Stadium oferece um “Tour” em suas instalações durante quase o ano todo. As visitas são guiadas por um grande conhecedor da historia do estadio - de mais de 100 anos - que ira lhe mostrar a arenas esportivas, centro de conferências, vestiários, seção vip, centro de mídia, museu entre outros.

Horarios

Janeiro a abril e outubro-dezembro
Segunda a Sábado, 11,00, 13,00 e 15,00
Domingo 13,00, 14,00 e 15,00

Abril-junho
Segunda a Sábado 10,00, 11,00, 12,00, 13,00, 14,00 e 15,00
Domingo 13,00, 14,00 e 15,00

Julho-agosto
Segunda a Sábado 10,00, 11,00, 12,00, 13,00, 14,00, 15,00 e 16,00
Domingo 13,00, 14,00, 15,00 e 16,00